- Carta Imagem
03/09/1999
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- Base Geopolítica e Administrativa
2002
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* Para visualizar os mapas, consulte a seção Índice de Mapas



Apresentação


Trinta e dois anos após Pedro Álvares Cabral desembarcar em terras brasileiras, o colonizador Martim Afonso de Souza estabelece ao sul do Brasil, a Capitânia de São Vicente. A partir da pequena vila no litoral, inicia-se a exploração do interior, atingindo, através da Serra de Paranapiacaba, o Planalto de Piratininga(1).

Em 25 de janeiro de 1554 é celebrada a primeira missa no colégio construído pelos jesuítas, na colina entre os rios Tamanduateí e Anhangabaú e que recebe o nome de São Paulo de Piratininga, em homenagem ao santo cuja data de conversão ao catolicismo comemora-se neste dia.

Neste ano já são conhecidas as primeiras ocorrências de ouro no Brasil, na região do Jaraguá e em Santana do Parnaíba, incentivando o avanço da ocupação além da colina de São Paulo, que passa a ser o principal apoio para a exploração do interior(2). Em 1560, com uma população de cerca de 80 habitantes, é elevada a categoria de vila, sendo instalada a Câmara Municipal e a Alcaidaria (3).

Em busca de ouro - Levas de aventureiros saem em busca das sonhadas montanhas de ouro, com consequências desastrosas para a pequena vila, que cada vez mais torna-se uma vila de passagem (4). O povoado foi crescendo aos poucos, e em 1711 passa à categoria de cidade. Nesta época, é intenso o movimento Entradas e Bandeiras, que a partir de São Paulo passa a agregar vastas regiões ao domínio português, tais como Goiás, Mato Grosso e Mato Grosso do Sul.

Com a intensa emigração de paulistas para as regiões auríferas, a cidade entra em declínio, agravado pelo decreto de D. João V, em 1758 concedendo liberdade aos índios. Com a base de sua economia ameaçada, a agricultura passa a constituir a única atividade possível, com a construção de engenhos de açúcar e criação de gado (5).

Até o final do século XVIII, quase 250 anos após sua fundação, São Paulo se restringe ao sítio original. A área do núcleo urbano mais edificado não ultrapassa 40 ha, envolta por um cinturão de sítios e chácaras habitados por senhores mais abastados, que se mantém até o século XIX, constituindo-se em reserva de expansão urbana. Ainda nesta época, é criado o Horto Botânico, para qual se destinou área no Bairro do Guaré. Cercada, ficou sem uso até 1825 quando foi aberta ao público, como parque (Jardim da Luz).

Em 1827, por decreto imperial é criada a Academia de Direito do Largo de São Francisco, e a população não chega a mais de 10 mil habitantes, concentrados nas regiões das Freguesias da Sé, Santa Efigênia e Brás (3).

Urbanização - Na década de 60, com o declínio do café no Vale do Paraíba, as lavouras cafeeiras passam a deslocar-se para terras paulistas, principalmente em direção ao noroeste do Estado (Campinas a Ribeirão Preto). A abertura da Estrada de Ferro Santos-Jundiaí em 1867 é a mola propulsora do grande surto de urbanização da cidade.

São Paulo ganha uma nova feição com o processo de substituição da mão de obra escrava pela de imigrantes europeus, principalmente italianos e pela opção da elite cafeeira em residir na própria cidade, que conta em 1870 com 30 mil habitantes, saltando para 240 mil, em 1900 (5).

A cidade de aparência colonial transforma-se, apresentando melhoramentos urbanísticos que anunciam o seu futuro de metrópole do café. Inicia-se a expansão urbana em direção às várzeas e terraços fluviais, onde haviam sido instaladas as ferrovias. Espaços anteriormente vazios, passam a ser ocupados por fábricas e bairros operários. O antigo triângulo, na região central, composto pelas ruas São Bento, Direita e Quinze de Novembro passa a configurar-se como setor de serviços e comércio. A burguesia paulista, em plena ascensão, opta em morar nas colinas além Anhangabaú, ocupando o aristocrático bairro de Campos Elíseos, loteado por Frederico Glete, em 1879 (6) .

Entre 1872 e 1875, sob o governo de João Teodoro Xavier, inicia-se as obras de remodelamento da cidade. O acesso às Freguesias do Brás, Santa Efigênia e Luz é melhorado, reforma-se o Jardim Público e o Largo 7 de abril (atual Praça da República), arboriza-se as ruas principais, inicia-se a iluminação pública à gás e são pavimentadas com paralelepípedos diversas vias do triangulo central (veja fotos do Centro Antigo). Em 1888, é inaugurada no Brás, a Hospedaria dos Imigrantes, com capacidade para 4 mil pessoas (6) .

Nesta época, a preocupação com a expansão urbana reside apenas em questões estéticas e de higiene. Em 1886, o Código de Posturas constitui-se na primeira legislação urbanística, sem entretanto configurar diretrizes gerais de uso e ocupação do solo. Estabelece largura mínima das vias de circulação, localização de algumas atividades como teatros, hospitais, indústrias e seus horários de funcionamento.

No período de 1889 a 1911, Antônio da Silva Prado, prefeito de São Paulo realiza inúmeras intervenções, tais como: arborização de ruas e avenidas, remodelação do Jardim da Luz, abertura da Avenida Angélica, construção do Mercado Municipal e do Teatro Municipal, visando o embelezamento da cidade (4).

Obedecendo a tendência de expansão urbana da burguesia, rumo aos terrenos mais altos, aos poucos atinge-se o espigão central, na época denominado Altos do Caagaçu. Na área, instala-se o loteamento Chácara Bela Cintra, de propriedade de Joaquim Eugênio de Lima, sendo aberta a Avenida Paulista, em 1891. Um ano depois, é inaugurado o Parque Villon (atual Siqueira Campos ou Trianon), projeto do paisagista francês Paul Villon, inserido no loteamento e preservando parte da mata existente a época(6) .

Centro antigo e cidade nova - A antiga região central, conservando o mesmo traçado estreito e sinuoso definido pelos jesuítas, passa a interligar-se com a "cidade nova" - região além Anhangabaú - através dos trilhos de bonde da "Light The São Paulo Tramway, Light & Power" (7) , com a conclusão do Viaduto do Chá, em 1892. Cria-se um eficiente sistema de transporte coletivo, que passa a atender o centro e os bairros, tornando-se fator de indução na ocupação da Penha, Santana, Ipiranga, Pinheiros e Lapa, sendo implantados 188,7 km de linhas, no período de 1901 a 1912.

Para garantir o abastecimento, capta-se inicialmente água do ribeirão Pedra Branca, na Serra da Cantareira e em 1907, inaugura-se o abastecimento domiciliar do Bairro da Sé, com a construção do Reservatório do Araçá (5). A Companhia Light realiza também a barragem do rio Guarapiranga, com o objetivo de garantir volume de água suficiente para a primeira Usina Hidrelétrica de Parnaíba, em 1901. A presença da represa modifica a paisagem dos arredores da capital, atraindo a população nos finais de semana, resultando na instalação de uma linha de trem até Santo Amaro(6).

Em 1912, com a iniciativa privada se propondo a desenvolver novos subúrbios, tem início o projeto do loteamento do Jardim América, constituindo-se no primeiro empreendimento da América do Sul nos padrões das cidades-jardim inglesas.

A influência da "City de San Paulo Improvements and Free Hold Land Co. Ltd" é notória nos projetos de loteamentos residenciais, que levaram à transformação da malha urbana, e no encaminhamento de sugestões para alterações dos dispositivos legais, especialmente os relativos às diretrizes de loteamentos residenciais

É perceptível ainda na lei municipal 2.611 de 20/06/1923, que passou a exigir do loteador a obrigatoriedade de doar, da área total a ser loteada em zona urbana, quando superior ou igual a 40 mil m2, 20% para as vias de circulação e 5% para espaço livre ajardinado (em zona suburbana este índice era de 7% e em zona rural de 10%). Esta lei estabeleceu também dimensões mínimas para lotes (300 m2 , com frente mínima de 10 m e profundidade mínima de 25 m).

Em 1921, em continuidade a ocupação da encosta sudoeste do espigão, em direção ao rio Pinheiros, instala-se o Jardim Europa.

Nas áreas mais periféricas, concentra-se a população mais pobre, constituida de imigrantes e operários, sem acesso a muitos serviços públicos e em péssimas condições de moradia. Esta população reside nas regiões do Brás, Belenzinho, Mooca, Canindé, Pari e atingindo o Ipiranga e a Vila Prudente. A população nesta época atinge a marca de 700 mil habitantes, sendo mais de um terço formado por imigrantes estrangeiros (5).

"A Lei do Povoamento do Solo, de 1907, que se deve a Miguel de Calmon, fez entrar no território brasileiro, em apenas 8 anos, a espantosa massa de quase um milhão de imigrantes. O italiano, o alemão, o eslavo e o saxão trouxeram a máquina para a nossa economia" (3).

Veja a tabela de população estrangeira (participação absoluta e relativa)

Centro urbano industrial - Em apenas 50 anos, São Paulo transforma-se de cidade provinciana em importante centro urbano industrial em ascensão, fomentado pela pujança da economia cafeeira e pelo surto industrial ocorrido durante a Primeira Guerra Mundial (1914-1918). Concentrando o recrutamento da mão de obra, as agências exportadoras e o crédito bancário, a cidade propicia a aplicação do capital excedente da produção cafeeira nas indústrias de tecelagem, alimentícias e químicas. No censo de 1920, já figura como o maior produtor industrial do país, respondendo por 32% da produção.

A partir de meados da década de 20, começam a surgir lacunas no atendimento dos serviços públicos nas novas áreas de expansão da cidade, principalmente no transporte por bondes. Os novos bairros passam a ser servidos por ônibus e pelo crescente número de automóveis, que tornam-se mais baratos, com a produção em linha de Henry Ford (8). Quebra-se o monopólio da Light, que reage com a colocação de suas próprias linhas de ônibus. A cidade está prestes a modificar definitivamente seu traçado urbano. Entretanto, as várzeas dos rios Tietê, Pinheiros e Anhangabaú constituem-se ainda em grandes vazios urbanos, intercalados nos bairros industriais e residenciais.

Enchentes - As enchentes passam a afetar pontos urbanizados, quando em 1929, ocorre a grande enchente. Os primeiros estudos sobre os problemas das enchentes em São Paulo datam de 1922, com a elaboração do Plano de Melhoramentos do Rio Tietê, elaborado por Fonseca Rodrigues. Em 1924, um novo estudo é contratado, de autoria de Saturnino de Brito, que enfatiza o papel atenuante das cheias, exercido pelas várzeas e matas de vertentes, constituindo-se em reservatórios naturais.

Em 1925, é criada a Comissão para a elaboração do Plano Geral do Conjunto, abrangendo planos parciais de extensão, melhoramento, embelezamento da cidade de São Paulo, com a participação de Prestes Maia e Ulhôa Cintra. Esta é a origem do "Plano de Avenidas" de Prestes Maia, apresentado em 1930, que consolida os trabalhos mais importantes da comissão e que delineiam uma reestruturação de toda a cidade.

Este Plano, além de dar as primeiras diretrizes gerais de zoneamento da cidade, contempla proposta para aspectos viários, localização de edifícios públicos e áreas verdes, corrigindo o índice de área verde por habitante, que na época era de 0,71m2/hab., propondo a implantação de grandes parques, tais como: Cabeceiras do Ipiranga, Ibirapuera, Cantareira (reserva natural), Alto da Serra (reserva florestal), além dos parques médios como Butantã e Aclimação, entre outros.

Em 1929, a promulgação da lei municipal 3.427 – "Código de Obras Arthur Saboya" é fruto da intenção de controlar a estética, higiene e segurança das edificações.

No período de 1925 a 1929 é construído em concreto armado o Edifício Martinelli, pelo conde Francisco Matarazzo, que representa a ascensão do imigrante e o início da verticalização da cidade.

Ainda no final da década de 20, a Comissão de Melhoramentos do Rio Tietê é novamente reestruturada, sob a chefia de Ulhôa Cintra, propondo modificações nos projetos iniciais de retificação e canalização de Saturnino de Brito, que previam o aterramento da várzea e a criação de lagos junto à Ponte Grande (atual Ponte das Bandeiras). A nova proposta contempla o aprofundamento do canal, toda urbanização da várzea, a construção de avenidas marginais e o acesso aos bairros da zona norte.

Para o início das obras são adquiridos em 1929, 132 ha de terras. Em 1930, face a dificuldades financeiras, os trabalhos são interrompidos, e o projeto só é efetivamente implantado a partir de 1940 (8).

O rio Pinheiros também é alvo das obras de retificação, justificadas pelo aproveitamento hidrelétrico, através das obras de transposição de suas águas e dos complexos de barragens dos rios Grande e Guarapiranga.

A primeira vista, o projeto de retificação dos rios Tietê e Pinheiros ( introduz a época, uma série de melhorias, tais como fim das inundações, eliminação dos pernilongos, regularização para um potencial uso hidrelétrico e melhoria da oxigenação das águas, com o aumento da velocidade de escoamento. Entretanto, com o tempo, verificou-se que essas melhorias ficaram somente nos conceitos.

Aos poucos, a antiga paisagem da cidade de rios meandrantes é substituída por cursos d'água retilíneos, encaixados em extensas planícies de inundação. Inicia-se a expansão urbana rumo aos seus obstáculos naturais, deixando para trás a paisagem de suaves colinas para os terrenos mais acidentados e distantes. Integra-se definitivamente ao traçado urbano da metrópole, ao norte Guarulhos, Santana e Freguesia do Ó, a oeste, Lapa, Osasco e Butantã, e a leste, a Penha além do Aricanduva.

Reestruturação viária - No final da década de 30, assume a prefeitura de São Paulo, o engenheiro Francisco Prestes Maia, autor do "Plano de Avenidas" de 1930. As pretensões do novo governo já estão traçadas, sendo necessário definir prioridades. Implantam-se várias vias radiais, e é definido o traçado dos anéis viários (8).

Opera-se a completa reestruturação viária da área urbana central de São Paulo. Como alguns exemplos das "cirurgias" impostas ao tecido urbano, durante as duas primeiras gestões de Prestes Maia (1938-1945) citam-se: o alargamento da ruas da Liberdade e Duque de Caxias, e da Avenida São João, a construção da ligação Rebouças-Eusébio Matoso, a Avenida Rio Branco, o primeiro trecho da Avenida Vinte e Três de Maio, a Ponte das Bandeiras e o prolongamento da Avenida Pacaembu. O túnel e a Avenida Nove de Julho, iniciada em 1930, é prolongada através do Jardim América e Europa, até Avenida Santo Amaro, enfatizando a conexão Santo Amaro-Santana como o principal eixo diametral da cidade, passando pelo Anhangabaú, totalmente modificado, onde o antigo parque boulevard é substituído por pistas de tráfego (8).

Expansão rumo à periferia - O perfil de São Paulo como metrópole industrial consolida-se definitivamente na década de 40, após a II Guerra Mundial. Além da necessidade de substituir importações e atender ao esforço de guerra, o mercado de mão-de-obra vai sendo alimentado por novas levas de imigrantes, vindos agora do Japão, China e Coréia. A estes, acrescentam-se os migrantes internos, principalmente de estados do nordeste, atraídos pelas oportunidades de trabalho na nascente metrópole, com uma industrialização já bastante diversificada: indústrias de bens de consumo durável (automobilística e de eletrodomésticos), bens intermediários (siderurgia, papel, petroquímica, borracha) e bens de capital (máquinas e equipamentos).

A concentração do desenvolvimento econômico-industrial de São Paulo praticamente determina seu ritmo de crescimento populacional, que decorre, então, basicamente por efeito da migração interna. No período de 1940/1950 a população do Município de São Paulo cresce a uma taxa de 5,2% ao ano, sendo a migração responsável por cerca de 73% desse crescimento. São Paulo contava em 1940 com 4.876 indústrias, que respondiam por 54% do Valor da Produção Industrial do Estado.

Para atender ao processo de desenvolvimento, inicia-se a expansão rumo aos terrenos da periferia, com características naturais desfavoráveis a ocupação, tais como solos frágeis, suscetíveis à erosão e relevos mais declivosos e concomitantemente, têm-se a verticalização da região central.

Em 1954 em comemoração ao seu quarto centenário, é entregue à cidade seu mais conhecido espaço público, o Parque Ibirapuera, projeto de Oscar Niemayer. Nesta época, já conta com mais de 2 milhões de habitantes, representando ¼ da população do Estado (5).

Entre as décadas de 50 e 60, consolida-se a participação da atividade industrial dos bens de produção, com 6156 indústrias (43% do total do Estado), empregando 585.000 operários (7).

Em 1956, a Prefeitura de São Paulo assina termo de contrato com a Sociedade de Pesquisas de Economia e Urbanismo/Sagmacs (coordenada pelo Pe. Louis Joseph Lebret), tendo por objetivos "realizar uma análise da estrutura fundamental da aglomeração paulistana compreendendo em particular pesquisas sobre a expansão urbana e suas tendências, a população e seu crescimento, os equipamentos públicos e de vida coletiva, a estrutura social e a vida social da aglomeração paulistana". Pela natureza do trabalho, abrange os municípios vizinhos de Santo André, São Bernardo, São Caetano e Guarulhos.

A pesquisa da Sagmacs foi um dos estudos mais profundos e complexos realizados sobre a metrópole, abrangendo aspectos econômicos, sociais e urbanísticos e teve, como resultado prático, a assinatura da lei municipal 5.261/57, que estabelece o controle da densidade de ocupação do solo. Com base nesse trabalho a Prefeitura elaborou leis específicas de zoneamento para parcelas da cidade que foram incorporadas ao Código de Obras.

Infra-estrutura - No início dos anos 60, Prestes Maia assume novamente a Prefeitura, em seu terceiro mandato, dando continuidade a reestruturação viária da cidade. Iniciado em suas primeiras gestões nas décadas de 30 e 40, o "Plano de Avenidas", prossegue de forma vagarosa e intermitente, nas décadas seguintes, com profundas modificações na concepção original.

Em sintonia com a indústria automobilística, investe maciçamente em projetos viários, como a continuação da Avenida Vinte e Três de Maio e a Avenida Cruzeiro do Sul. Assim, os vales que antes serviam apenas para drenar os esgotos que a metrópole produzia são agora transformados em grandes corredores viários (5).

Espera-se desvencilhar a área central dos congestionamentos de veículos, mas suas atividades entram em declínio, já que a falta de acessibilidade desloca o desenvolvimento para novos eixos e sub-centros, principalmente em direção ao sudoeste. Esta nova centralidade reforça ainda mais o famoso slogan da época, "São Paulo não pode parar".

Mais e mais se investe na "urbanização da cidade", entendida na ocasião, como a execução de grandes obras de engenharia. Assim, entre 1969 e 1971, Paulo Maluf notabiliza-se ao construir o elevado Costa e Silva - "Minhocão", sobre a Avenida São João, descaracterizando de forma irreversível, todo o antigo centro urbano (4).

Inúmeras obras de engenharia apontadas como solução para as enchentes, também são executadas, canalizando-se córregos e sobre estes construindo-se novas avenidas de fundo de vale. Aos poucos, as antigas várzeas vão sendo ocupadas e o processo de impermeabilização do solo compromete definitivamente a capacidade natural de absorção das águas pluviais, as enchentes passam a constituir um dos mais graves problemas da cidade.

Nesse mesmo período, inicia-se o declínio da taxa geométrica de crescimento da cidade, concomitantemente ao crescimento populacional das regiões periféricas da Grande São Paulo, provavelmente como consequência do crescente deslocamento das indústrias para essas áreas. Em 1960, o município detêm 52% da produção industrial do Estado e 28% do país. Já em 1967 sua participação decresce para 42% e 24% respectivamente (9).

Em 1968, é contratado um consórcio internacional para a elaboração do Plano Urbanístico Básico - PUB, constituído de diagnósticos exaustivos e de caracterização físico-territorial, sócio-econômica, dos déficits dos serviços públicos e das condições da estrutura administrativa. Os resultados apontam para o óbvio, ou seja, a profunda defasagem entre as necessidades da população e a capacidade de atendimento dos serviços oferecidos.

Na Administração Figueiredo Ferraz iniciam-se as obras do Metrô e institui-se o primeiro Plano Diretor de Desenvolvimento Integrado - PDDI (lei municipal 7688/71), pautado nas recomendações do PUB e do Plano Metropolitano de Desenvolvimento Integrado - PMDI. As diretrizes do PDDI estão consolidadas na primeira legislação de zoneamento da cidade (7805/72, 8001/73 e subsequentes), em vigor até hoje.

Entre 1970 e 1980 intensifica-se o processo de "desindustrialização" da área central, ocasionado por variados fatores locacionais e econômicos, tais como preço do solo, restrições da legislação metropolitana, capacidade de organização sindical, incentivos fiscais, etc. Resta na cidade um parque industrial polarizado entre dois perfis distintos: de um lado estabelecimentos industriais antigos, sobretudo os da antiga indústria de bens de consumo, e de outro os segmentos industriais mais novos - setor elétrico e de telecomunicação - onde predominam plantas menores, com maior requisito tecnológico, baixo impacto ambiental e maior capacitação da mão de obra (10).

Centro financeiro - Com o estabelecimento de grupos de serviços financeiros, a metrópole se transforma de cidade industrial para centro financeiro do país, com crescimento vertigioso do setor terciário (comércio e serviços). Entretanto, grande contingente da população trabalhadora dispensada da indústria não é absorvida pelo setor terciário, fator este que aliado às crises econômicas da década de 80, culminam em altas taxas de desemprego e o incremento do mercado informal (camelôs).

Veja a evolução da população segundo seus componentes (saldo vegetativo e saldo migratório)

A partir da década de 70 intensifica-se o processo de concentração de renda e a lógica da construção da cidade passa pelo deslocamento das centralidades associada à exclusão territorial dos mais pobres, com o incremento da favelização e periferização.

Em 1973, 1% da população mora em favelas, em 1980 este número salta para 4% , chegando a 8% (1,15 milhões) no início dos anos 90. Paralelamente, há o sucessivo deslocamento da centralidade principal, no qual o surgimento de um novo centro nobre se dá com o desgaste dos centros anteriores : Centro - Jardins/Av. Paulista - eixo Itaim/Berrini/Marginal Pinheiros.

O acesso ao novo centro é restrito ao automóvel, concentrando a maior parte dos investimentos em infra-estrutura e urbanismo de qualidade, como por exemplo, nos anos 90, a Nova Faria Lima e a Operação Urbana Águas Espraiadas.

Exclusão - Na década de 90, continua a queda do crescimento populacional (atualmente em 0,4%), situação já verificada na década anterior. A economia paulistana gera cerca de US$ 80 bilhões ou 10% do PIB nacional, com cerca de 5 milhões de trabalhadores, mas atingindo em 1999, uma taxa de desemprego de 18%.

O século XXI inicia-se com a metrópole em crise, marcada pela exclusão social da grande maioria dos seus 10 milhões de habitantes e pela intensa degradação do seu ambiente urbano.

Com uma área total de 1509 km2, o Município apresenta 870 km2 de área urbanizada, onde vivem cerca de 65% da população. As dificuldades de acesso à moradia impelem quase 70% dessa população à adoção de "soluções-problema", como favelas, cortiços, invasões e parcelamentos clandestinos, constituindo a chamada cidade real, em contrapartida a cidade legal (das leis de zoneamento e uso e ocupação do solo).

Cerca de um milhão e novecentos mil pessoas moram nas 1855 favelas cadastradaspela SEHAB. Deste total, 65% ocupam áreas municipais originalmente destinadas à implantação de áreas verdes. Nos parcelamentos clandestinos, que ocupam estimativamente 500 Km2, moram cerca de 2,5 milhões de habitantes (12).

Tais parcelamentos, além de não contarem com infra-estrutura mínima, são implantados em áreas desfavoráveis à ocupação, em terrenos com solos frágeis, suscetíveis a erosão e acentuada declividade gerando grave degradação ambiental. Além disso, o parcelamento clandestino onera duplamente o estoque de áreas verdes, já que em sua implantação tem-se a remoção quase que total da cobertura vegetal original, e com a desobediência à legislação urbanística, novas áreas não serão destinadas a áreas verdes (15 % da área total parcelada segundo a Lei Municipal 9413/81).

Associados a esses problemas, têm-se todos os anos, a paralisação da cidade pelas enchentes, que ocorrem em mais de 400 pontos; o desconforto térmico das áreas centrais, através das "ilhas de calor"; a poluição do ar, causada em sua maior parte pela circulação dos quase 5 milhões de veículos; o comprometimento irreversível dos mananciais de água, ocasionado pela ocupação desordenada; a geração de 15 mil toneladas de lixo por dia; as áreas contaminadas por despejo clandestino de resíduos industriais; a degradação do patrimônio urbano; a poluição visual e sonora; etc.

Referências Bibliográficas

1. Saint Hilaire, A. 1851. Viagem à província de São Paulo. São Paulo. EDUSP. 229p.

2. Juliani. 1993. Geologia, petrogênese e aspectos metalogenéticos dos Grupos Serra do Itaberaba, São Roque e da Pedra Grande , NE da cidade de São Paulo, Tese de Doutoramento apresentada ao Instituto de Geociências da Universidade de São Paulo. São Paulo. 803 p.

3. http://www.anchieta.org.br

4. PMSP. 1992. O poder em São Paulo: história da administração pública da cidade de São Paulo. PMSP. 159 p.

5. RODRIGUEZ. 1998. Rodriguez, S. K. 1998. Geologia Urbana da Região Metropolitana de São Paulo. Tese de Doutoramento apresentada ao Instituto de Geociências da Universidade de São Paulo. São Paulo.184 p.

6. KLIASS, R.G.1993 . A urbanização e os Parques Urbanos em São Paulo.In: PARQUES URBANOS DE SÃO PAULO. Editora PINI. 210p.

7. PONTES, J.ªºV. 1996 Francisco Prestes Maia, " O Político que não gostava de Política ". IN : Revista CIDADE. Secretaria Municipal de Cultura, PMSP, p.4-9.

8. ZMITROWICZ, W. 1996. Francisco Prestes Maia, "O sonho e a realidade do Plano de Avenidas". in Revista Cidade. Secretaria Municipal da Cultura, PMSP. p. 28-35.

9. EMPLASA. 1983. Reconstituição da Memória Estatística da Grande São Paulo.

10. SEADE. 1998. Fundação SEADE. Jul/set 1992. Setor Terciário São Paulo – São Paulo em Perspectiva. in Revista da Fundação SEADE. Vol. 06; n° 03..

11. ROLNIK, R. 2000. POLÍTICA URBANA. Notas, Instituto Florestan Fernandes, S.Paulo, 67p.

12. ANCONA, A. L. 1993. O Plano Diretor e a Questão Ambiental. in A questão ambiental urbana. PMSP – SVMA. p. 411-425





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Plantas - Núcleo urbano


Planta - Estrada de Ferro Santos Jundiaí


Galeria de Fotos - Centro Antigo


Planta - Expansão Urbana


Tabela - População estrangeira


Grande enchente


Cabeceiras do Ipiranga


Rios Pinheiros e Tietê


Rios meandrantes


Liberdade


Duque de Caxias


Ponte das Bandeiras


AV. Nove de Julho


Parque do Ibirapuera


Processo de impermeabilização


Estabelecimentos industriais antigos


Centro Financeiro


Evolução da População


Favelização


Periferização


Poluição do ar


Mananciais de água


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